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Desigualdade Salarial não é uma questão de gênero

Segundo pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE, as mulheres ainda ganham menos que os homens (77,5%), a despeito de ocuparem os mesmos cargos e preencherem os mesmos requisitos para preenchimento da vaga, quiçá quando não superam o grau de escolaridade deles (quando deveriam então ganhar mais!)!

O que explica essa disparidade em razão do gênero?

Inegável que hoje temos alterações positivas no cenário salarial, no entanto, ainda estamos muito distantes da equidade.

A sociedade é patriarcal e fomenta a carreira e o deslanche dos homens, seja semeando a cultura do empregador que não quer contratar mulheres em idade reprodutiva, tampouco as mães, julgando equivocadamente que com elas não se pode contar, bem como aquele que não admite mulheres em postos de chefia ou teme que seus subordinados não cumpram decisões partindo de uma mulher.

São machismos em larga escala, contudo cometidos em condutas silenciosas que se postergam no tempo e nos boicota ano a ano.

Sabemos que não são só em contratos padronizados pela CLT (cada vez mais precários, ressalte-se), que as mulheres estão prejudicadas em seus salários, mas também na prestação de serviços em geral e superando a questão salarial, temos uma baixíssima representação de mulheres nos postos de chefias e gestão, também no funcionalismo público, nas entidades classistas, sindicais e políticas. Baixa representatividade significa pouco ou nenhum engajamento nas causas das mulheres. Cenário que precisa ser alterado com mulheres ocupando todos os espaços!

Em busca de maiores explicações sobre a diferença salarial exclusivamente em razão de gênero, temos a dupla jornada (às vezes tripla), as obrigações com os filhos, com a casa e com a rotina demandarem exponencialmente de mulheres e nada dos homens!

Em entrevistas de emprego, tem-se notícia de que mulheres são mais passivas, aceitando o salário oferecido, sem questionar (sobretudo em cenário nebuloso), ao passo que homens discutem o salário e fazem contraproposta de uma maneira mais assertiva e eloquente, o que os coloca em vantagem perante os recrutadores.

A cultura machista

Podemos citar também características e comportamentos culturais machistas limitantes, uma vez que na infância as meninas são expostas a brinquedos e brincadeiras que remetem ao lar, aos cuidados de terceiros, o que fomenta intimamente a uma escolha profissional que “pague menos” e tenha um certo viés de “profissão feminina”, como contraponto podemos citar como exemplo o baixo número de mulheres em carreiras de engenharia.

O que fazer

Mulheres, o caminho é árduo! Ocupemos nossos espaços, eduquemos as crianças, lutemos pela igualdade!

Vamos votar em mulheres, vamos eleger aquela mina fantástica pra ser a representante de classe na faculdade, no diretório acadêmico, no grupo de estudos, na empresa, seja lá onde for, vamos confiar em nós mesmas!

Thais Perico é Advogada Especialista em Assessoria para Mulheres