09
fev

Estupro de vulnerável: números que só aumentam

Em uma análise geral, os casos de estupro que já são grandes, ainda nem esbarram nos casos reais, uma vez que muitas mulheres não têm coragem de denunciar, por medo, por vergonha, por não expor um parceiro ou amigo da família. Portanto, esses números são baseados no que de fato foi levado ao conhecimento das autoridades, o que nos permite afirmar, que em sede de subnotificações, temos um número muito maior.

(Estupro de vulnerável/ Pixabay)

” … muitas vezes o agressor

frequenta a nossa casa ou mora lá …”

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, em pesquisa datada de 24/02/18, houve um aumento de 17,4% dos casos de estupro na região da Baixada Santista em relação a 2017 e do total, 86% dos estupros foram cometidos contra vulnerável.

Assédio – a violência silenciosa

Lamentavelmente nos deparamos com os números altíssimos de estupro de vulnerável, onde podemos pressupor que grande parte das vítimas são crianças ou mulheres, que sob efeito de substâncias entorpecentes (ou que são para macular seu discernimento) ou ainda, que não possam oferecer resistência.

Cuidados a serem tomados

Desta forma, nosso alerta é para redobrarmos os cuidados com as crianças, com quem as confiamos, afinal, muitas vezes o agressor frequenta a nossa casa ou mora lá e a criança está correndo riscos diariamente, em total vulnerabilidade. Saibamos ouvir as crianças e seus sinais, suas alterações comportamentais e corporais.

O que fazer

Para os casos de estupro, incentivamos sempre as mulheres a procederem com a denúncia e não perpetuem o discurso de que nunca vai dar em nada, é preciso agir, uma vez que esse crime depende da condução da vítima para ser investigado e muitas não sabem que só têm 6 meses pra isso! Vamos divulgar pra que agressores não passem impunes! Vamos oferecer apoio e esteio às mulheres para que denunciem sempre! Lavrando a ocorrência ou noticiando o crime e depois requisitando a representação junto ao Ministério Público!

Uma de nossas lutas é alterar a legislação penal de modo que os crimes sexuais passem a ser investigados por iniciativa pública, sem condicionar a manifestação de vontade da vítima.

Um dia a gente chega lá! Vamos juntas?

Thais Perico é Advogada Especialista em Assessoria para Mulheres