07
dez

O Laço Branco e o local de fala

(Imagem: Freepik)

06 de dezembro foi instituído o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres

Nesta data, em Montreal, no Canadá, um homem invadiu uma Instituição de Ensino Superior e ordenou que todos os homens deixassem a sala de aula. Ato contínuo, invadiu a sala, assassinou todas as mulheres e em seguida se matou. Constava em carta por ele deixada, que essas mortes foram motivadas pelo repúdio e reprovação que ele sentia ao ver mulheres cursando engenharia, que tal curso não era destinado às mulheres.

Desde então essa data passou a ser reconhecida como Campanha do Laço Branco, reconhecida pela ONU.

Pois bem, é um tanto quanto complexo tratar de violência contra a mulher e fazê-lo em alusão à campanhas de combates promovidas por homens, sobretudo por faltar-lhes legitimidade e lugar de fala.

Decerto, que não reconhecemos a representatividade masculina, que retira o local de fala e oprime o protagonismo da mulher em questões eminentemente femininas, como à violência de gênero e é aqui que nos insurgimos para falar de machismo.

Onde os homens se enquadram em campanhas de prevenção à violência de gênero se são eles os agressores?

Factível que o ciclo da violência, globalmente abordado, é fruto de práticas reiteradas há gerações, portanto, culturas perpetradas família a família, deturpando as relações de gênero que deveriam ser equitativas.

Condutas de tratamento desigual desde o nascimento acabam por semear essa colheita de dominação e violência, cujo resultado é uma barreira difícil de ser transposta.

Tendo chegado até aqui, podemos pensar em meios eficazes de conscientização dos homens, promovidos inclusive por outros homens.

Vejam, são os homens que fomentam a cultura de que mulher almeja casamento, tirando sarro dos colegas com o famoso “game over”, “foge que Ainda dá tempo”, “acabou pra você”, dentre outras que levam a entender que eles não querem casar, só as mulheres, essas que querem um bom casamento!

São os mesmos homens que cultuam o “futeba” de quarta a noite com os amigos, mas as mulheres não podem!

Nesta linha, são eles que chegam em casa do trabalho e querem mesa posta, banho e descanso, enquanto as mulheres também estavam trabalhando, mas precisam encarar a jornada da maternidade, dando banho nos filhos, preparando e dando comida, fazendo lição de casa, lavando louça, limpando a casa, passando roupa… exaustão só de tentar citar uns poucos exemplos de afazeres!

Por tudo isso é notável que desigualdade entre homens e mulheres é histórica e requer autoconsciência e educação.

O machismo segue fazendo vítimas pelo mundo inteiro, oprimindo mulheres no lar, batendo, estuprando, sonegando dinheiro, informações, empurrando, pagando menos para cargos igualmente ocupados por homens, assediando no trabalho, na rua, no transporte público, humilhando, tratando mulheres como objeto, consumindo pornografia indiscriminadamente, segregando direitos, matando.

Portanto, homens, mobilizem-se verdadeiramente, unam-se para extirpar esses comportamentos machistas micro que impactam no marco e sedimentam a desigualdade ao longo do tempo.

Me é aprazível chamar esse dia de mobilização social por direitos humanos.

 Thais Perico é Advogada Especialista em Assessoria para Mulheres*O conteúdo deste artigo é de responsabilidade da autora

*O conteúdo deste artigo é de responsabilidade da autora.

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