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nov

Você consome pornografia?

(Mulher/ Freepik)

Já parou para pensar nas mulheres que produzem esses materiais? Filmes, fotos, dentre outros?

Ser atriz pornográfica é uma das maiores definições de objetificação feminina, se não for a maior.

As mulheres atrizes são constantemente humilhadas pelos atores em filmes eróticos, posto que estão sempre em posições inferiores e muitas vezes em condições desumanas, comumente perceptíveis, sempre servindo à satisfação da lascívia masculina.

Existem boatos de que mulheres são estupradas nos sets de filmagem, sendo que vários atores ingerem remédios para prolongação da ereção e se aproveitam disso para cometer crimes, julgando as mulheres incapazes de denunciá-los apenas pela profissão que exercem.

Não obstante, essas mulheres ainda apresentam um número altíssimo nos índices de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), depressão e suicídio.

De outro giro, por questões de foro íntimo, o conteúdo pornográfico atrapalha sobremaneira a vida daquele que o consome, uma vez que os corpos tidos como padrão estão bem longe da realidade, criando falsas expectativas quanto à aparência e desempenho sexual, levando a um desvalor das “mulheres reais”.

E os efeitos são nefastos: mulheres em ciclos intermináveis de insatisfação com seus corpos, submetendo-se a regimes alimentares altamente restritivos, que facilmente remetem a transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. Homens eternamente insatisfeitos cobrando corpos perfeitos, repletos de intervenções cirúrgicas.

Mulheres da vida real estão muito distantes de corpos malhados e submissão comumente encontrados nos filmes pornográficos de pouco ou nenhum enredo.

É “arte” que inferioriza as mulheres e cultua à dominação delas, reforçando o patriarcado.

Nesta linha de raciocínio, a pornografia contribui muito assertivamente com a violência, afinal, muitos homens que consomem pornografia revelam desejo de reproduzir com suas parceiras as cenas de dominação ali assistidas, muitas vezes sob chantagem.

Se pararmos para refletir, lembraremos de casos em que mulheres foram estranguladas por seus parceiros, depois de serem convencidas ao uso da “técnica da respiração interrompida” para aumento do prazer. Onde se vê tudo isso? Na pornografia.

Note-se que, em nenhum momento há pretensão de criticar quem consome pornografia, mas sim a produção dos seus conteúdos e a mensagem de submissão e subserviência que ela produz. Sabemos que os conteúdos são facilmente encontrados pelos adolescentes e pasmem, até mesmo por crianças, portanto, indaga-se: é esse o modelo de sexo que queremos que seja incutido em nossos filhos?

Já passou da hora de todos nós observarmos tudo aquilo que consumimos. Somos responsáveis pelo que cultuamos e toda informação recebida é absorvida, apontando para seus efeitos sociais, que, por sua vez, serão irremediavelmente perpetrados ao longo da vida.

Frise-se: pornografia tem muito a ver com violência sexual, num elo generoso de desigualdade de gênero e abusos perpetrados disfarçados de prazer sexual. Vamos pensar! Boicote à indústria pornográfica!

 Thais Perico é Advogada Especialista em Assessoria para Mulheres*O conteúdo deste artigo é de responsabilidade da autora

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