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4 formas de machismo invisíveis que você deveria saber

Atitudes sutis, disfarçadas que acabam tirando nossas forças, nossos créditos e opiniões seja no trabalho, em casa ou um momento de diversão. Em primeiro lugar, onde está a educação?

(Formas de machismo/ Freepik)

Já pararam para pensar em quantas vezes somos obrigadas a repetir o que falamos em detrimento à fala dos homens?

Pois bem, nós repetimos sempre e, muitas vezes, sequer notamos, mas é fato que a sociedade fomenta essa teoria do “discurso fraco” das mulheres.

As mulheres são expostas a pressão psicológica até mesmo em ambientes de Delegacia, onde suas versões do crime são questionadas, diminuídas, postas em cheque, de modo que elas se sintam revitimizadas nesse cenário. Não é incomum que vítimas de violência voltem para casa sem lavrar Boletim de Ocorrência, por terem sido demovidas na própria delegacia. Outras, já nem se dirigem para evitar o constrangimento.

Bropriating

O reforço na fala feminina em todas as camadas sociais, por exemplo a reunião na empresa, onde o colega homem fala uma vez só, mas a mulher precisa explicar duas ou mais vezes e até com outras palavras para se fazer compreender, sem contar que, ao explicar, corre o risco de o homem se apropriar de sua fala e a tomar como sua, apagando o local de fala daquela mulher e de seu pertencimento naquele lugar, assim é o bropriating.

Tomemos como exemplo a sessão Plenária do Supremo do dia 21/03/18, onde mesmo após a determinação de encerramento da sessão por motivos de discussão entre os Ministros, Gilmar Mendes continuou insistindo que tinha a palavra e bradava sobre a voz da Presidente Carmen Lúcia, que precisou abandonar a Plenária.

A mesma repetitividade de fala a gente vê na mesa de bar, no happy hour com os colegas, o homem fala e tem toda credibilidade, a mulher é questionada e interrompida, inclusive informalmente, precisando erguer a voz para ser ouvida (isso quando não é chamada de louca por ter “gritado”)!

Manterrupting

Diariamente ouvimos casos de mulheres que tentam explanar sobre qualquer assunto e nem precisamos reforçar que elas têm o domínio sobre ele, senão não estariam ali com seu momento de fala e que são interrompidas a todo instante por um homem. Temos aqui o manterrupting!

Gaslighting

Avançando nesse território pantanoso da violência psicológica, deparamo-nos com as mulheres que são frequentemente questionadas por homens, muitas vezes ocultando ou distorcendo informações e até mesmo mentindo para elas, de modo a passarem a duvidar das próprias capacidades e discernimento, acreditando que estão enlouquecendo. Temos aqui a descrição da expressão gaslighting, seguramente uma das maiores estratégias de abuso psicológico.

Mansplaining

Ainda nesse tortuoso caminho de massacre psicológico, existe o homem que explica para a mulher as maiores obviedades da vida, como se ela tivesse algum problema de compreensão e aprendizado, apenas por ser mulher e ocupa-se de explicar, pausadamente e/ou didaticamente o motivo de a água do mar ser salgada, o céu azul, a sua própria menstruação… temos aqui o mansplaining.

Tais termos em inglês, foram criados para pontuar os machismos que passam invisíveis no cotidiano, mas estão ali, sem nomenclatura, todavia onipresentes na diminuição das nossas forças! Eles não têm tradução, mas nós poderíamos criar versões em português para que seja possível alcançar todas as mulheres, sem recorte de classe.

Como combater

Seja enfática e assertiva, busque apoio de outras mulheres. Questione o que está sendo questionada e torne forte a sua voz quando quiserem silenciá-la.

Cientes desse fomento patriarcal para engolir as mulheres com estratégias de diminuição, desvalorização e agentes silenciadores, não tenhamos dúvidas: ERGAMOS A NOSSA VOZ!

Thais Perico é Advogada Especialista em Assessoria para Mulheres

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